 Com a chegada da Ranger Sport nas concessionárias a partir de hoje (22/11), quem gosta de picapes pequenas pode pensar duas vezes antes de escolher entre as versões top de linha de Fiat Strada e Chevrolet Montana, Adventure 1.8 Flex (R$ 44 290) e Sport 1.8 Flexpower (R$ 45 760) respectivamente. Não que as três tenham muito em comum, mas como a questão financeira é fundamental na hora de decidir pela compra, a faixa de R$ 45 000 tem agora um novo habitante. E para quem gosta de "picape de verdade", a Ranger Sport pode se apresentar como a melhor opção, a R$ 49 990. A diferença de pouco mais de R$ 4 000 pode ser menos pesada pelo fácil acesso ao crédito que as fabricantes estão cedendo a potenciais consumidores.
Por fora, as principais alterações em relação ao modelo de entrada da linha 2007 ficam por conta da grade dianteira e dos pára-choques pintados na cor do carro. A parte inferior da peça e o pára-choque traseiro também receberam adendos na cor cinza escura. As rodas têm 16" e desenho diferente da antecessora, que trazia modelos de ferro estampado com calota central, e são calçadas com os pneus Pirelli Scorpion 275/60, de uso misto.
Sob o capô, a opção escolhida pela fabricante foi o motor 2.3 16V a gasolina, que gera 150 cv a 5 250 rpm e tem 22,1 kgfm de torque a 3 750 rpm. Com bom desempenho, mas sem a costumeira força que as picapes movidas a diesel da marca têm. Não há também a tração 4x4 quando o adesivo "Sport" vai grudado na lateral da caçamba, já que esta não se dissocia da opção com motor a diesel. Apesar disso, os números de desempenho divulgados não decepcionam. A velocidade máxima final chega aos 147 km/h e ela faz de 0 a 100 km/h em 13s7.
As impressões
A bordo da picape, seu interior é bem simples e o espaço não é dos melhores, afinal é uma picape, mas apesar de seu maior e mais robusta que a concorrência citada, neste quesito a Ranger perde feio. Quem sabe se algum dia reeditarem a opção de cabine estendida? Entre os equipamentos, não há muito o que reclamar. O modelo vem de série com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, além de um toca Cd/Mp3 bem honesto. O sistema de som não compromete e ainda tem a vantagem de trabalhar em um ambiente mais tranqüilo, já que o motor não se mostra muito ruidoso.
Em um dia de teste urbano, se sente a diferença de estar em uma picape feita para ser picape. A ótima altura em relação ao solo e a posição elevada de dirigir deixam o motorista em vantagem em meio ao caos das cidades, mas nada que lhe faça ganhar tempo. Para manobrar, também não há ressalvas. O esterçamento das rodas é elogiável, já que sua caixa de direções, que não comprometia, ficou ainda mais ligeira e as respostas rápidas do motor lhe dão sagacidade no trânsito. As frenagens vêm sempre acompanhadas de um barulho estranho para quem estiver acostumado aos automóveis, devido ao agarre dos pneus de uso misto ao asfalto.
Em vias rápidas, no entanto, é necessário ter um pouco mais de experiência com este tipo de carro na hora de manobras mais rápidas. Apesar de a suspensão ter recebido atenção especial, a má distribuição de peso, recorrente em todas as picapes médias, faz com que a "sambada" natural da Ranger assuste um pouco em velocidades acima dos 120 km/h. Segundo a Ford, este novo modelo exige um grau menor de contra-esterço em curvas de alta devido à nova posição dos amortecedores e recalibragem do conjunto, no entanto ainda foi pouco para o consumidor comum. Mas nada que o motorista não se acostume com o tempo.
O consumo em nada difere das concorrentes, sem levar em conta, claro, a possibilidade que Montana Sport e Strada Adventure têm de serem abastecidas tanto com álcool quanto à gasolina. Na opção derivada de petróleo, a Ford divulga que a Ranger tem média de 10,35 km/l em percurso cidade/estrada, sendo 8,6 km/l em trânsito urbano e 12,1 km/l trafegando por rodovias, números estes tomados com o veículo sem nenhum dos 760 kg de capacidade de carga na caçamba. |